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quinta-feira, 19 de março de 2015

Nu e Sujo

Não inventes que te prefiro fraco, nu e sujo.
Desprezo escorrendo-te os lábios.

Passa-me a perna
Diga-me tuas mentiras tão leves
Coma-me o coração
Sente-me, Dionéia?

Tu és como um ladrão
E também um estuprador em gozo
És a doença própria
Coma-me logo o coração

Bebe-me sóbria
Não me verás nu, tampouco sujo
Terás de mim pouco
Sentir-se-á na glória

Tenta mais e eu fujo
Te deixo
Esfrego-te no asfalto
Te assalto
Te deixo sem freio
E tu vais
E eu fico
E te deixo ires embora
Bem longe
Não me importo

Passa-me a perna
Diga-me tuas mentiras tão leves
Coma-me o coração
Sente-me, Dionéia?

És profunda
Mas não é tanto que consegues
Sentes meu fundo
Faz-te de absurda

Não o és
Ou és
Será que minto
Ou me apaixono
Será que minto
Ou já te beijo's pés?

Passa-me a perna
Diga-me tuas mentiras tão leves
Coma-me o coração
Sente-me, Dionéia?

Sinto-te, Dionéia.
Mas não te amo, Valéria.
Não te sinto, Emília
Ou te considero, Margarida.
Morres por mim, amor da minha vida?
Morro por ti, e ficas pra sempre aqui
Que logo retorno e te salvo, quem sabe
Logo retorno e te como, vadia.

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