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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Um Pouco de Tudo

Pego um pouco de tudo
Quando te visito
Cheiros de perfume
Versos profundos
Textos infindos
Amor
Pinturas sem fundo
Agouros surdos
Memórias de um passado contundo
De tudo um pouco e contudo
Não levo nada
Porque de ti já tenho tudo

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Agora somos amigos

Sinto-me especial
nos textos teus.
Porque tu me escreve
com sinônimos
de tamanha exagerada significância.

Sempre foi um afago no meu ego,
sempre foi uma puta ao meu dispor.
Sempre foi um agouro de ouro,
e uma canção cortês.

Mas só agora somos amigos.
Só agora vejo o valor
e chego a ficar tonto
com tantos adjetivos
que você me escreveu.

Eu nunca fui um poeta,
sempre uma sombra
a te perseguir.
Um resto de inveja
te tentando distinguir
no meio de sentimentos
conservados em verniz.

Mas agora nós somos amigos.
Está envolta em cordéis
numa cama de flores,
só anda debaixo de um corcel.
Meu amor.
Agora sim, um amor.

Dela

E se eu gritar
E jogar na parede a porcelana da sua avó
E cantar, loucamente
E espernear
Será que você vai parar
De me tratar
Como menos que quero
Eu quero
Em cada instância e escala
Que sejas meu
E parar
De ser de outro
Da vida
Da dor
De qualquer coisa
Que não você
Da rua
Da amiga
De outro estado
Meu
E só meu
De mais ninguém
Meu
E só meu também

Gostando De Você

De repente me encontro
Gostando de o que
Você me recomenda
Me fazendo de auê

De repente me encontro
Gostando
Contigo deslizando
Pra longe de mim

De repente me pego caindo
No abismo que você deixou
Entre nós

Espero no fundo
Num escuro
Feito de um foz
De sentimentos ruins

De repente me encontro
Pensando em você
Será que a luz
Vai se acender

Você não vem
E mesmo assim
De repente me encontro
Gostando de você

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Verão

Inspirado em SUMMERTIME - The Carters.

Vamos fazer amor
Durante o verão
No calor, num ardor
Vamos nos juntar
Uma canção

Vamos fazer amor
Quando as nuvens somem
Antes da chuva chegar
Entre a coxa e o abdômen

Vamos fazer suar
E soar sinos da catedral
Trompas e clarinetas
Harpas num coral

Vamos fazer amor
Não importa o sol, amor
Pois sou água
Ao teu clamor
Só nós dois

E o mundo vai tremer
Desvanecer, amém
Um inferno, um paraíso
Seremos terra de ninguém

Quando as nuvens somem
Seremos mormaço e nada além
Vamos fazer amor
Não importa o sol, amor

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