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domingo, 10 de fevereiro de 2019

Dela

E se eu gritar
E jogar na parede a porcelana da sua avó
E cantar, loucamente
E espernear
Será que você vai parar
De me tratar
Como menos que quero
Eu quero
Em cada instância e escala
Que sejas meu
E parar
De ser de outro
Da vida
Da dor
De qualquer coisa
Que não você
Da rua
Da amiga
De outro estado
Meu
E só meu
De mais ninguém
Meu
E só meu também

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Olhos Cancerianos

MORRER

Original de 2016.

Dizes verdades quando compartilhas tua dor,
és semelhante, mas porque não sinto em seus olhos?
O teu odor faz jus ao cheiro do amor de belos casais,
com teus lindos olhos, lindo semblante.

Mesmo o teu suor sinto como uísque de boa qualidade.
Teu sal de longos banhos na melhor praia,
teus cuidados carinhosos, minha narcísica personalidade.
Satisfazes meu jeito e falas de novos conceitos
enquanto religião se torna cada vez mais penalidade.

Mas nossa relação de vampirismo psíquico é caos.
Nosso coração em meio do caminho de espinhos,
as atitudes cheias de insanidade
enquanto religião se torna cada vez mais penalidade.

As atitudes cheias de insanidade
Enquanto religião se torna cada vez mais penalidade.

Somos uma sina, marcados anunciando que vou perder-me;
Só não faça morreres.
Ah, e às vezes, ao teu lado,
eu é que quero morrer-me.

Nem sei de onde me vêm os golpes.
Quem sabe eu vá me matar outra vez
na insensatez de perder a linha dos moldes.
Parar enquanto é tempo
e não estás ficando doente.

Mesmo o teu suor sinto como uísque de boa qualidade.
Teu sal de longos banhos na melhor praia,
teus cuidados carinhosos, minha narcísica personalidade.
Satisfazes meu jeito e falas de novos conceitos
Enquanto religião...

Meu nirvana é escutar Nirvana o dia inteiro.
O pesadelo mais pesado é pensar você de novo.
As lágrimas de sabão que minha alma cospe fora,
eu quero mais um pedaço da tua torta.

Ou eu poderia morrer-me.

Eu ainda tento te enviar mensagens em vão,
como minhas tentativas de ter-te:
todas as minhas tentativas de manter-me por perto,
aqui estão.

Eu queria tirar-te o pigmento destes olhos
para que não mais me fizessem efeito.

Mas que olhos tão bonitos tens.

Eu vou perder-me de novo
nestes olhos tão lindos.
Eu sei que não há como manter-te por perto,
então
eu vou
morrer
em poucos.

Os momentos cheios de insanidade;
Eu vou
me perder
aos poucos.

As atitudes cheias de insanidade
nessa abstinência de personalidade.

Eu quero me perder nos teus olhos,
e assim eu vou
morrer-me
em poucos.

Os momentos cheios de insanidade,
insanidade vulgar,
meu bebê de caridade.
Me perder nos teus olhos
é o melhor jeito de poder me encontrar.

Os momentos de insanidade,
o teu calor em partes:
Eu vou
me perder
aos poucos.

E vou
morar
entre os teus olhos.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

O Leão e o Leãozinho

Eu achei que tava apaixonado
por um leãozinho carinhoso
e eu tava.

Mas leão na realidade
tem uma boca grande,
come demais,
tem dentes grandes,
machuca,
e toda aquela juba.

Gosto muito de você, leãozinho,
mas tenho medo dos seus amiguinhos.

Que saudade de você, leãozinho,
onde é que eu fui parar?

Um leão de verdade,
aquelas unhas pra arranhar
e as patas gordas pra esmagar?

Sinto falta do meu leãozinho,
apesar de conseguir escapar
do seu leão de verdade,
mas, câncer, já vai chegar.

domingo, 27 de setembro de 2015

Quem sou eu?

Me dói sua ignorância,
Sua nostalgia interminável,
Pois o ignorante está em perdição
Se não é cercado de inteligentes.

Que vida digna terá
Se não lhe mandarem tomar banho,
Se não lhe avisarem de amor
Ou que tais coisas tem outro significado?

Quem sou eu para julgar ou insistir
Para que saia da burrice.
Se não o quiser, se não me escutar,
Que aprenda na velhice.

Quem sou eu para tentar em vão
Se cada empreendimento de minha força
Tem força de forma amor n'outro coração?

Quem sou eu para namorar
E estar sempre sozinho
Se há quem me preencha,
E me seja bonzinho?

Quem sou eu para deixar o tempo escorrer
Se em tanta boa-aventurança me posso estar
Não me posso deixar em ociosidade,
Tampouco me posso entristecer,
Se em tal mundo posso ser Peter Pan
Sem nunca parar de crescer?

Não devo explicações

Na noite de desabafar para as paredes
O porque eu estava triste.
Na noite de desabar entre as cobertas
Porque eu estava ficando doente.
Na noite de desencadear as correntes
De dessabor por estar carente.
Na noite de destroçar a serpente,
A esforço puro da mente.

Eu não devo explicações nem a Deus
Do porquê eu não choro.
Eu não devo explicações nem a Deus
Do porquê eu não volto.
Eu não devo explicações nem a Deus
Do porquê eu não morro.
Eu não devo explicações,
De porquê eu sei, do porquê eu faço,
De porquê tenho em mente
Tanta certeza de que tudo está certo.

Eu não preciso saber teu sofrimento
Pra saber que ele acaba.
Eu não preciso saber tua nostalgia
Pra saber que ela é não é cabida.
Eu não preciso saber tua reclamação
Pra saber que é perda de tempo.
Eu não preciso secar teu choro
Pra saber que ele é de coração.
Eu não preciso te acariciar
Pra saber que tudo nesse mundo
Sendo a tormenta de tão dentro ou tão de fora,
Está predestinada a passar.

Eu não devo explicações nem a Deus
De que eu sei que ele sabe de tudo
E que nem sequer uma folha cai da árvore
Sem ter contribuição ao mundo.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Teoria do Aprendizado

Assim o homem moldou de terra seu aprendiz
E lhe deu o sopro da vida.
Assim diz a teoria do aprendizado criacionista;
Assim diz o servo da dívida.

Aprender, continuar, sem cessar.
Suicidar, para aprender apenas de mais tarde,
Que amar é o único caminho para o amor.
Amar é a única saída para amar melhor
E receber ainda mais.

Assim o homem moldou de terra seu aprendiz
E lhe deu o sopro do conhecimento.
Assim diz a teoria da sabedoria,
E o homem de tudo sabe, sem nada saber de fato.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Terceira Carta de Larisse

Já perdi as contas de quantas vezes disse que te amo por mensagem de texto. Por todos os aplicativos que já inventaram. Com corações coloridos,alguns que pulsam,outros não,nas mais diversas cores e formas variadas de janelas de redes sociais. Que estranho este caminho que a gente encontrou pra dizer um pro outro que a nossa relação vai além do que a virtualidade permite. Quero te dizer,neste segundo,que te amo. Mas o que fazer se seus olhos insistem em se manter distantes dos meus,por conta da rotina caótica dos dias? Juro que até,mais uma vez,peguei o celular ontem mesmo pra mandar mais uma mensagem,mais resisti. Olhei pro céu e pensei em você,com toda a força do meu coração apaixonado. Quem me dera se os pensamentos me respondessem com aqueles alertas de mensagem recebida. Que eu tivesse certeza que as nuvens tinham levado o meu recado para você . Pelo visto,a única forma de dizer que te amo à distância é a frieza de um celular. Ainda que eu use a função quase descartada nos dias que se seguem,a ligação,não seria o suficiente. Não seria a mesma coisa do que ficar no calor dos teus braços. Então,faz assim: te mando agora este recado e a gente marca de se encontrar amanhã . Combinado? Ah,por sinal,antes que eu me esqueça,ainda que mesmo por rede- te amo ❤️

terça-feira, 4 de agosto de 2015

O Leãozinho


Gosto muito de te ver, leãozinho
Caminhando sob o sol
Gosto muito de você, leãozinho

Para desentristecer, leãozinho
O meu coração tão só
Basta eu encontrar você no caminho

Um filhote de leão, raio da manhã
Arrastando o meu olhar como um ímã
O meu coração é o sol, pai de toda cor
Quando ele lhe doura a pele ao léu

Gosto de te ver ao sol, leãozinho
De te ver entrar no mar
Tua pele, tua luz, tua juba

Gosto de ficar ao sol, leãozinho
De molhar minha juba
De estar perto de você e entrar no mar

Composição: Caetano Veloso

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Dores

Quantos tempos se vão na dor?
Numa atitude singela,
De flash de lanterna que falha,
A vida é do ator,
Que mesmo na pior
Engole o choro, sorri e entra em cena.

Meu coração não é assim,
Minha cabeça pouco aguenta.
Não te quero tão mal, amor,
Me abraças que te seco quando choras,
Tu tens mais que eu,
Te assopro cada cisco nos olhos,
Não te afastas, te mostras,
Se te escondes, te quero em muros,
Cantando a todo mundo.

Coração, te ponho a prova,
Se aguenta e não te apavoras,
Nãos és de marfim.
És menos valioso,
Não tão negro,
Não tão rosa,

Meu coração não é assim,
Ele não aguenta
Não me acusas, amor,
Me abraças que eu seco quando choras,
Tu tens mais que eu,
Te assopro cada cisco nos olhos,
Não te afastas, te mostras,
Se te escondes, te quero em muros,
Cantando a todo mundo.

Te assopro cada cisco nos olhos,
Não te afastas, te mostras,
Se te escondes, te quero em muros,
Cantando a todos,
Te quero em muros,
Cantando a todo mundo.

Sou Uma Cômoda

Dói,
E sempre vai doer.

Meu cérebro grita,
Cansado de eu o moer,
Cansado assim como o teu
Estar cansada de ser.

Não há saída pra mim,
Eu fico por aqui.
Posso até me acostumar,
As paredes verdes,
O sol assim,
Tudo diferente,
Mas eu me ajeito.
Tudo se ajeita,
Um dia vemos que é certo.
Tudo uma hora vira casa.

Você pode me visitar
Com vinho e um buquê.
Sempre irá poder retornar
A me perguntar o porquê.

Não há mais saída pra mim,
Eu fico por aqui.
Posso até me acostumar,
As paredes verdes
E o sol assim.
Tudo diferente...

Bagunça

Para falar de coisas por sorteio
Tenho me saído bem,
Mas pessoalmente tenho sido ácido.
Mãos, calos, feridas,
O que mais tem?
É o passar do tempo que torna tudo cálido.

Eu tenho estado sem jeito.
Agora quero muito arrumar.
Agora quero terminar...

Para falar de coisas aleatórias
Tenho cartas, blogs, amores de sobra,
Eu quero arrumar o que tem dentro.
Amor, me perdoa,
Na sombra da palmeira na praia,
No despir da tua saia,
No banho, na água, no abraço salgado,
Na avidez do embargo,
O perfume na carta,
O sentimento de ontem,
A dor do amanhã,
O sal, o açúcar, o mel e o limão...
O querer e o perdão,
Você não é a vilã,
E o sentimento se esquece de tanto
O tudo de agora,
O sentimento de ontem,
A dor do amanhã...
Não
Não tem perdão...

Eu tenho estado sem jeito
Agora quero muito arrumar...
Está bagunçado assim,
O meu coraçãozinho...
Em profundos desafios,
Vamos deixar pra amanhã?
Eu queria estar
Queria estar rodeado de ti...
Mas hoje não vai mais dar,
E nem amanhã, temos outros compromissos
E está bagunçado assim...
Podemos arrumar juntos?

sábado, 1 de agosto de 2015

Maciço

É um certo tipo de preocupação
Sem ser ocupação
Sem ser opaco
Sem ser simples

É um certo tipo de amor
Sem ser razoável
Sem ser difícil
Sem ser simples

É um certo tipo de mensagem
Sem ser romântico
Sem ser paterno

Um certo tipo de carinho
Sem ser amante
Sem ser patético

Um tipo de necessidade
De ter por perto
De ser eterno

Uma desconfiança
De que não acaba
Nem se apaga
Com o tempo

É um certo querer inconformado
Um amor danado
Em nós confusos, cafonas
Sem ser banalizado
Funciona, opera

É um certo tipo de mensagem
Sem ser romântico
Sem ser paterno

Um certo tipo de carinho
Sem ser amante
Sem ser patético

terça-feira, 28 de julho de 2015

Canal Sensacionalista

Vamos ver se me serve ficar quieto
Ou serve-me apenas para encher cinzeiros
Vamos ver se melhora a situação
Deixar de dar carvão para teu ego queimar
Por algum acaso tens Marte em Escorpião?

Que grande falácia.
Que inútil tentar.
Que desprezível me sinto
A cada suspiro do teu ódio
Porque não te entendem,
Porque não te gostam.
Que grande dor,
Alega que não digo o que sinto
Mas se quando sinto serve-te de pilha
E teu controle remoto liga no canal sensacionalista,
Prefiro deixá-lo descarregado.
Prefiro deixar-te no silêncio
Porque não entendo como te fazer ver
Que eres completamente entendida
Mas que és absurda muitas vezes,
Que ainda és uma criança.
Que ofensa te digo ao te dizer a verdade
Se ela conto apenas a ti,
Se a verdade é nosso selo de maturidade
E o que pode nos manter juntos
É exatamente essa sincera lealdade.

Eu jamais deveria tê-la abandonada
Eu percebi a aura de loucura em sua casa
Fechada e mal-tapada, sem ninguém para ter
Nem motivo para ranger teus dentes.
É motivo suficiente para ter a maldita vontade
Mas não precisas implantar o caos.
Precisas dar ouvido à ruindade da sua mente?
Precisas parar para pensar e afastar a tristeza
Tudo que tens, tudo que conquistas,
Tudo te pertence enquanto bem vigia.
Mas tudo que plantas, tudo que amaldiçoa,
Sabendo muito bem que o destino é uma vadia
Pronta para fazer tudo que tu pagares.
E sendo a tua moeda de escambo a tua boca,
E a tua boca hoje amaldiçoa.
E a tua mão, também, outra moeda,
A tua mão hoje planta ervas-daninha.

Obstáculo

É chegado o momento do drama do dia-sim, dia-não.
E eu aqui preocupado com a brilhante chegada da lua-cheia,
E tu aí, ignorante das minhas preocupações.
Vem de novo com teu drama mal pensado e tuas facas já tão sujas
Os fios de nossas conexões não aguentam mais os esparadrapos.
Ó, amor, se me amas, porque não me convéns?
Se me amas, porque não me entretém?
Se me amas, porque não acordas e deixa-nos viver em paz?
Se tanto me amas e do que eu mais, porque fastes de tanto,
No momento da intriga pões tuas chantagens,
E da reconciliação não te desculpas, nada fazes,
E porque tão pouco nos alimenta a alma,
Porque tanto desfazes? Porque tanto brigas?
Que tanto que se distrai?
Se ainda houvesse alguém para trair-te,
Ou alguém para lhe largar por qualquer motivo,
Tens quem te ama e cuida, e prometes guerra ao desconhecido
"Se não me vens, desfaço nossos vínculos."
Mesmo quando ameaças, te entendo, te satisfaço.
Mas quando torna a mim a necessidade de algo,
Me acolha e guarde, e não me ataque argumentos toscos
Enganastes se pensas que sou um palhaço.
Quando um não quer, dois não fazem...
Quando um quer e força o outro,
Dois não fazem, ou ambos se desfazem.
Que assim seja a regra, que assim se faça a paz,
Ou que assim se institua a guerra...
Se não queres um nem outro, pra mim tanto faz.

Falácia

E este amor, todo pretensioso, que me pregas?
Imagino o que te passas na cabeça e no coração
Ao martelar tua placa à pregos tortos no meu
E me dizer contra minha vontade que devo fazer
Tanto carinho para que logo implante a maldição
E penso, de verdade, que sejas minha rendição
Que faço, de verdade, meu pior caminho,
Trilheis nossos passos para o abismo da solidão.
Te amo e cada dia mais tu me torturas
Desvinculando-me do clarão, voltei-vos então.
Volvei à escuridão.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Correção

Me corrija se eu estiver errado,
Mas em todos esses anos, alguma de nossas brigas nos separou?
E em todos esses meses, algum desentendimento não foi resolvido no quarto?

Já nos faltou ovo, miojo ou café?
Nossa fé já foi abalada, esmagada ou atropelada por outro sentimento?
E tudo que fizemos foi em vão ou estamos lutando por algo?
Quando o carro quebrou continuamos a pé?

Se tava frio, eu te esquentei?
Se tava calor, abanei?
Por algum caso eu te deixei, troquei, ou simplesmente roubei no início de tudo?
Todos os passos tiveram cachorro e gato de acompanhamento,
Aos pés, carinhos, massagens, a vida é um cubo
Você vai até ali e faz o que quiser
Mas um dia tem que contornar seu caminho de novo
E se resolver tudo aquilo que fizer
Ou que já tenha feito há muito tempo, muito tempo atrás.

Já perdemos todos os amigos?
Já choramos sábados e domingos?
O tédio já nos tomou durante a segunda-feira?
Ou eu estou enganado, enganado,
E nunca nos faltou nada pro bom agrado?

Então, meu amor, meu amor
E o bom louvor de toda essa boa vida,
A planta de hoje é o bom fruto de amanhã
E eu não lembro de ter te feito nenhum mal,
Nenhum mal, meu amor
Então fechando os olhos, o tempo bom virá
Pela manhã, ao anoitecer, o amanhecer logo virá
E o entardecer reserva muitas surpresas,
A vida, meu amor, é cheia de coisas ruins,
Mas tem muitas belezas.

So when the dark times come it's time to look inside of you.
The past is full of rosebuds waiting for you to reach 'em
And start, baby, every path till your destiny and make those dreams come true.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Segunda Carta de Larisse

Eu mereço alguém que não desista de mim mesmo quando já não tem interesse.Mereço alguém que não me faça promessas de envelhecer comigo, mas que realmente queira estar do meu lado. Mereço alguém que se orgulhe do que escrevo, que me faça ser mais amiga dos meus amigos e mais irmã dos meus irmãos.Mereço alguém que nunca abandone a conversa mesmo quando eu não sei mais o que dizer. Alguém que, nos jantares entre os amigos, dispute comigo para contar primeiro como nos conhecemos.Mereço alguém que goste de conduzir para nos revezarmos em longas viagens. Mereço alguém disposto a conferir se a porta está fechada e a máquina de café desligada, se o meu rosto está aborrecido ou esperançoso. Mereço alguém que prove que amar não é contrato, que o amor não termina com os nossos erros. Alguém que não se irrite com a minha ansiedade.Mereço alguém que possa criar toda uma linguagem cifrada para que ninguém nos recrimine. Alguém que arranje bilhetes para um concerto de repente, que me sequestre e me leve ao cinema, que cheire o meu corpo suado como se ainda fosse perfume.Mereço alguém que não largue as mãos dadas comigo. Mereço alguém que me olhe demoradamente quando estou distraída, que olhe no fundo dos meus olhos e me diga "eu te amo", que me telefone para narrar como foi o seu dia. Mereço alguém que procure um espaço acolchoado no meu peito para repousar. Alguém cuja única mentira que me conte seja de que cozinhou o jantar e só diga a verdade depois de eu ter comido.Mereço alguém que tenha uma risada tão bonita que terei sempre vontade de ser engraçada. Mereço alguém que comente a sua dor com respeito e ouça a minha dor com interesse. Mereço alguém que não se perturbe com o que as pessoas pensam a nosso respeito. Mereço alguém que seja divertido nos momentos de alegria mas que não perca a doçura nos momentos de tristeza. Mereço alguém que goste de passar o domingo em casa, acordar tarde e andar de chinelos, e que me pergunte o tempo antes de olhar para as janelas. Mereço alguém que me ensine a me amar porque a separação apenas me vem ensinando a me destruir.Mereço alguém que tenha pressa de mim, que deseje a eternidade comigo, que chegue rápido, que largue o casaco no sofá e não seja educado a ponto de estendê-lo. Mereço encontrar alguém que me faça de novo sentir que sou plenamente necessária e cada vez mais tenho certeza que essa pessoa esta comigo. Bom dia ♥
Escrito por L. P. Martins

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Amor

Aquela velha história do poeta que não sabe falar de amor
Mas e que poeta ama se todo poeta é um enganador?
Assim como eu, assim como ela, e como todo mundo
O que melhor todos falam é de sua dor

E eu não sei...
Eu não sei...
Eu não sei chorar
Eu não sei...
Eu não sei...
Não sei amar

Aquela longa história das nossas vidas, aqueles textos trocados
Aquelas palavras vazias sobre um trailer, uma viagem, um lago
Aquelas vidas que criamos, a imaginação, tudo que não deu em nada
Eu não sei...

E todos os nossos filhos, os Nemos e os numerosos Marlins e Corais Jr.
Os nossos cachorros, gatos, o hamster que vivia no banheiro e a cobra amarela no império de vidro
Todo o trabalho, todo aquele dinheiro, nossa casa pequena de paredes de madeira,
Quantas coisas vão ficar pra trás porque o poeta não sabe amar
E não escreve cartas, não se presta nem ao menos pra ligar,
Tudo por água abaixo, tudo indo de mal a pior, e a noite vai ficando fria
Os espaços são cada vez mais apertados, e os tempos sem você maiores,
As saudades de como você sorria e as memórias de como é linda

Eu não sei...
Eu não sei...
Não faço ideia de como chorar
Eu não sei
E nunca saberei
Jamais vou lembrar...

Mas no tempo mais remoto que chego pensando à noite,
Seu olhar se cruza com o meu pela primeira vez
E em todos os açoites da nostalgia, você estava em meu colo,
E as palavras ficam bonitas quando a dor é assim...
Porque o poeta nada mais é que um sofredor,
E se então você está aqui sendo contemplada no escuro,
Sentir dor na saudade por você é tudo o que eu conheço por amor.

Eu não sei...
Ainda não sei
Não sei chorar
Quem sabe eu sei
Talvez eu saiba
Como se faz pra te amar...

Sal

Tu pusestes sal
Ao novo ponto de ignição
Nossa vida entra em desespero
No dia mais inócuo da relação
O vidro se espatifa em mil
Entre os dedos da minha mão
Não há nenhuma solução.

Tu pusestes açúcar
Numa outra ocasião
Notastes aos dez medos que dissera
O homem sem aparente razão
E em minhas vãs tardes de esforço
Fizestes o favor de enterrar miséria
Em cada passo que damos agora
Andamos em direção ao posso
E não há mais nem um pedaço de amor
Ou há?

Esfria o chá
E novamente se faz a inglória passeata
Entre espinhos e saliências
Se enerva o presunto
Mas a fé sempre se mantém intacta

Pergunte-se o porquê.
Vire-se e encare sem ter motivo,
Mas não te descanses
Não voltes sem sentido
Precisamos continuar e se não houver fertilizante
Replantamos.
Reinstalamos amor em nossos poros.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Carta de Larisse

Fique um pouco mais. Na geladeira tem aquela Coca que você gosta, aquela maionese que você ama colocar no pão e temos pizza de ontem também. Fique. Deve chover daqui a pouco, pelo menos eu ouvi dizer. Mas se não, deve estar quente demais. Sei lá. Fica. Eu ligo o ar condicionado ou fico te abanando, se você quiser. Fique um pouco mais. Ou muito mais. Tem algum maço de cigarros teu perdido em meu armário. Tem aquele travesseiro meu que você gosta de dormir. E eu comprei DVDs legais esse mês. Fica pra gente ver junto.Fica, vai. Eu lavo a louça e posso ler pra você, também. Posso fazer bolo ou pizza de mentirinha. Eu arrumei a cama pra gente. Ou podemos ficar aqui neste sofá cor de ouro envelhecido. Fique. Lá fora, está perigoso demais, eu vi no noticiário. Há trombadinhas por toda a cidade que assaltam em ônibus ou esquinas. E os taxistas também são maus e podem tentar te matar ou algo assim.Fica aqui comigo. Eu estou doente. Olha? Estou começando a ficar com febre, tosse ou câncer, sei lá. Minhas mãos estão tremendo e eu sinto que meu coração está acelerado demais esta noite. Fica para cuidar de mim? Fica, vai. Tua mãe pode esperar. Teu pai pode esperar. Teus amigos também, podem esperar. Até as tuas amigas que não gostam de mim podem esperar. Fica, vai. Manda mensagem ou liga para todos eles e diz que foi por aí.Fica. Tem biscoitos de chocolate na cozinha. Tem livros legais na prateleira. Tem jogo de tabuleiro, baralho ou coisa assim. Tem coisa de beber, de fumar. Fica, droga. Tem seriados legais no quarenta e quatro. Eu prometo não te machucar fazendo cócegas. Prometo acarinhar o lóbulo da tua orelha e te fazer massagens também. Ou te colocar no meu peito e te fazer carinho na nuca até você dormir. A gente pode transar, se você quiser. A gente pode falar mal dos outros ou da gente mesmo. A gente pode ficar em silêncio, também.Você realmente quer ir? Tudo bem. Pode ir. Mas me deixe sua boca. Teus braços. Tua voz. Teu peito. Ou melhor, vai não. Fica aí até amanhã então,na verdade fica aqui pra sempre.
Escrito por L. P. Martins

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