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terça-feira, 31 de março de 2015

Simples

Do campo a casinha,
Faxino feliz.
Divina ignorância,
Vida simples.

Me indigno com as notícias lá do fora
O povo se mata, se estressa atoa
Eu aqui nem sei o que é essa globalização
Essa movimentação me soa tão preguiçosa
Prefiro dormir à ir embora ver o que é que há.

Vou alimentar o meu gato,
Carinho, pego no colo.
Ele mia, conversa do jeito dele,
Eu entendo e boto no pelo escova
Sente mais carinho, esse bicho mimado
Sempre que me vê se renova
Não pede nada em troca.

Minha casinha feliz
Divina ignorância que me deram
Não vou reclamar, não sei, não vi
Minha vida é mais simples...
Minha vida é mais simples...
Mas a vida é tão simples...
Não é?

Sonho de saboreio

Era uma caminha apertada
As paredes próximas
Mãos mais que bobas, tóxicas
Os corpos suando quente
Dava pra sentir os corações
E o amor tava tão exprimido
Tão gostoso e bem dirigido
Aquelas partes ardentes

A cozinha do trailer era pequena
Mas dava pra fazer ovo frito
Eu muito curtia fazer o café da manhã
Quando tava pronto só se ouvia o grito
Ela tinha aquele sono pesado
Que tinha que ir lá olhar os olhos fechados
Bonitos, na pele bronzeada,
Nos calos do pé lindo e viajado
E na primeira fala do dia,
De timbre que me deixava delirante
“Que horas são?”
Assim você me mata, quem diria,
Você tá acordando e me dando questão banal
Quando do dia não importa que horas são,
Mas quanto tempo vamos gastar durante,
Mas antes que você me pergunte de novo,
São seis e meia da manhã.

Ele a olhou e disse com sua cara de pacato homem tolo e feliz:
Você está linda, mas já dormiu 16 horas. Levanta que chegamos em Santa Catarina e eu vou dormir, com prazer. E você vai levar o trailer pra um motel, sem desculpa. E daqui há 4 horas eu quero que me acorde e que subamos pro quarto pra transar o dia inteiro. Bem-vinda ao meu sonho de saboreio, meu amor. Feliz ano novo, logo renovamos nosso contrato de 1095 orgasmos por ano.

Ela beija-a.

Boa sorte.

Cai e dorme.
E os dois dormem.
Mas em quatro horas tudo estava como ele havia pedido.
E no fim do dia,
Sonho de saboreio.

O enredo ridículo da cabeça que não conhece o molejo

Se enfaixa então
E deita na minha cama
Se encaixa então
E me adentra na tua trama
Se afilia então
No meu drama
Se enfia então
No seio da história tão mal contada por Deus…

Alivia, minha filha, minha carga escrita
Realiza, minha filha, o amor que eu te dei.
Canta, samba, assovia, enfia ele no coração como pedi
Canta, samba, assovia, enfia ele no coração que encomendei pra ti

Se enfaixa então
E deita na minha cama
Se esvaia então
E molhe minha cama
Se alivia então
Dando na minha transa
Se acaba, então, meu amor
Tu nunca te cansas

Mas...

Enfaixa-te então.
Minha cama…
Esvaia-te então.
Minha cama…

Alivia-te então,
Me transas…
Acaba-te então,
Nunca te cansas.

Fala-me então
Que me amas
Discuta-te então,
Nunca te cansas!

Defere-me então,
Golpes e lanças.
Ao destino, meu amor
Teu amor que me sente e não queres dizer, esconde e não te cansas

Mas me dizes logo, amor
Sei que me amas.

Threesome feliz

Me, he, she.
De três vivia feliz.
Do, re, mi.
De semitom era infeliz.

Me, she, she.
De três era mais feliz.
Fan-ta-sy.
Só em sonho não era feliz.

Ela acordava pela manhã
E não sabia a quem beijar.
Um já em pé estava e já cozinhava
Ela acordava o outro como boa canceriana.
Um sorria com olhos castanhos e celebrava
O outro se espreguiçava sempre cansado
Cheio de mimos e adepto da insônia.

Ele acordava pela tarde e estava sozinho.
O café tinha esfriado e os outros dois estavam fugidos.
Do lado de fora o lago era gelado,
Mas tudo era do sol um grande desporto cansado.

Transavam nus no lago em apelo
E sem vergonha se mostravam ao observador terceiro
Threesome.

Threesome.
O seu olho era negro, e o cabelo comprido.
Ele era gêmeo.

À noite tinha canabis,
E a fogueira era discreta.
O repelente já era costume,
Pouca roupa e de quebra,
Lugar nenhum onde estavam.
Não era uma grande festa
Mas eles eram livres de certa forma.

Já era costume a segunda trazer vodka e perder o controle do peso
E o primeiro carregá-la pra dentro.
O terceiro nunca se enturmava, mas os amava por dentro.
O primeiro era o mais atencioso,
Mas a segunda era a cola grudenta.
O terceiro era o menos romântico, mas o mais privilegiado,
E o desatento primeiro o que mais amava
E a segunda sabia que ele estava mais sabendo
Que o terceiro nem ligava, preguiçoso, cheiroso e meio violento.
O primeiro era o mais completo, e era grande amigo do terceiro.
E a segunda era a mais satisfeita na cama, pros dois vivia cedendo.

Ô, tempos bons enquanto o terceiro não quebrava.
Ô, tempos bons enquanto a segunda não esquecia os planos.
Ô, tempo ruim, que o primeiro escreve sem realizar palavras que era só ele quem acreditara enfim.
Me, me, me.
Em realidade se finda o sonho.
Me, she, none.
Nobody believes in the threesome.

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