Eu estou bêbado agora. Estou pensando sobre a vida. Sobre como eu consigo teclar automaticamente tudo que eu penso. Isso deve ter se tornado um hábito estranho. Talvez eu pudesse me tornar uma máquina. Quantas pessoas teclam assim, rápido, preciso e correto? Estando bêbados? Não sei.
Eu costumo cuspir textos e publicá-los. Não sei porque eu disse isso, não vou fazer um twist dizendo "este vai ser diferente". Vai ser a mesma coisa. Quem sabe cuspir mais do que alguém que bebe?
Eu queria estar chorando agora. Como da última vez. Não estou.
Estou agoniado desta vez.
Wendy me deixou assim.
Ela ameaça se matar. Da última vez foi tudo porque eu a queria perfeita. A queria como Tinker. Ela não foi Tinker, foi Wendy. E Wendy quer ser criança boba. Quer crescer. Eu não quero crescer. Tenho tudo o que eu preciso bem aqui, com Tinker. Será que ela não entende?
Eu vou desistir de tudo isso. Esse negócio de aprender com quem não sabe nada. Vou ir aprender com Tinker. Ela sabe das coisas. Ela pode me ensinar. Ela liga pra mim, mais do que pra ela mesma. Eu sei disso. Ela me ama de verdade. Wendy não me ama. Ama a si mesma. E esse é o pior tipo de pessoa para se amar. Mas eu sou Peter. Me deram o nome à uma doença, e eu concordo. Posso sê-la. Mas não preciso que ninguém me diga "fique bem" mais. Eu simplesmente sou o bem. E isso é o suficiente para viver na minha Terra do Nunca.
Eu estou aqui, feliz. Vivendo para sempre. Os outros estão vivendo o agora... eu, o amanhã.
Certo, um Peter Pan bêbado. Pois por que não?
Exatamente.
Um Peter Pan bêbado.
Escrevo essas merdas. Essas merdas que eu deveria escrever sóbrio. Sou não Fernando. Não Renato. Não Pedro. Sou Peter. Sou sempre Peter. Sou Peter Pan. E você não entendem o que é viver para sempre/ou o que é viver sempre jovem.
A vida é uma brincadeira. E eu rio dela. E ninguém é capaz de me dizer "você está louco" e me convencer. Eu sou uma criança, viajando numa nuvem chamada vida. E eu vou ser para sempre. Como o anjo cupido, eternamente retratado como um bebê de asas. Sou uma criança com uma XII tatuado no pulso. Marcas da inocência. Com certeza. Eu amo viver. Eu amo estar aqui. Eu amo rir de quem não sabe viver. Todos vão aprender um dia, é inevitável, então eu apenas rio.
Eu amo viver. Eu vivo. Pra sempre.
Eu sou Peter Pan.
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
Afronta
Nunca teria sido certo pensar
que um dia eu diria isso.
Sempre fora ela,
e ela sempre será este ser.
Sempre fora ela,
Eu dela sempre fui.
Eu do destino, sempre pertenci,
eu pertenço ao plano.
Eu sou humano.
Eu fui mal.
Eu fui mal.
Eu errei.
Mas nada justifica a crueldade:
não poder ter.
Amei.
Intensamente amei.
Jeni,
Vanessa.
Rainha dos Elfos Vermelhos,
Wendy.
Mas eu pertenço ao destino que escolhi.
Eu pertenço à felicidade
dos sonhos e dos jardins
recheados de flores.
Eu pertenço à realidade
que eu escolhi.
Os sonhos de viver uma vida
Meditando ao lado do monge.
Os méritos de se suportar o aprendizado
Com a criança que brilhava em alegria.
Mas eu pertenço ao certo.
Ao feliz.
Ao bonito.
Ao desejo perdoável,
à bondade dela.
Aquele que deve se nomear.
Eu amo
Ela.
Apenas
Ela.
que um dia eu diria isso.
Sempre fora ela,
e ela sempre será este ser.
Sempre fora ela,
Eu dela sempre fui.
Eu do destino, sempre pertenci,
eu pertenço ao plano.
Eu sou humano.
Eu fui mal.
Eu fui mal.
Eu errei.
Mas nada justifica a crueldade:
não poder ter.
Amei.
Intensamente amei.
Jeni,
Vanessa.
Rainha dos Elfos Vermelhos,
Wendy.
Mas eu pertenço ao destino que escolhi.
Eu pertenço à felicidade
dos sonhos e dos jardins
recheados de flores.
Eu pertenço à realidade
que eu escolhi.
Os sonhos de viver uma vida
Meditando ao lado do monge.
Os méritos de se suportar o aprendizado
Com a criança que brilhava em alegria.
Mas eu pertenço ao certo.
Ao feliz.
Ao bonito.
Ao desejo perdoável,
à bondade dela.
Aquele que deve se nomear.
Eu amo
Ela.
Apenas
Ela.
90 graus
Zorro.
Se fossem três traços, seria simples.
Se fossem no tecido, seria fácil.
Mas, a superfície,
de cores peculiares e sua sutil variação,
possui nomes em dobro,
foneticamente compatíveis.
Pertence a um nome composto,
que é demônio e também é santo.
Não dói como antes doía.
Não queima a pureza do espírito,
ou sequer condena o que a danifica.
A inicial do nome de luta,
que esconde a sua verdade na rotação,
agora adora o seu dono,
como se não houvesse mais volta.
O que agora existe não deseja volta.
Traços irregulares,
dispostos em três direções,
carregados de transparências bege,
equivalem à oração de todos os dias.
Peter, meu Peter.
Revelam a permanência
do que não pode ser previsto.
Peter, meu Peter.
Cuja identidade é forjada
em letras de escolha própria,
consciente da própria voz.
Peter, meu Peter.
E seus belos tímpanos
em deleite dos meus elogios.
E meus profundos olhos
à espera da aparição de seus medos e recados.
Peter, meu Peter.
E os diversos pecados
que decido não cometer.
Se não tivesse, outrora,
avistado o poço,
Se a face que hoje agrada
não tivesse observado com cuidado,
Se não tocasse insistentemente
nas mesmas teclas melódicas,
Ou se, por acaso,
não sentisse medo a cada verso,
Não teria ainda
as vestes que hoje habito.
Não seria,
em voz quase exclusivamente interna,
fonte de luz alguma.
Não preencheria jamais
os pequenos vãos que me moram.
De que me valeriam, afinal,
as marcas de batalha,
se não antes soubesse
a beleza da sua estadia?
Peter, meu Peter.
Não há validade mais extensa
que a da regeneração finita.
Se há cura para o que me cobre,
Há cura para todo o resto.
E todo o resto agora
existe em torno de Peter.
Peter, meu Peter.
Precisamente meu.
Preciosamente
Peter
Se fossem três traços, seria simples.
Se fossem no tecido, seria fácil.
Mas, a superfície,
de cores peculiares e sua sutil variação,
possui nomes em dobro,
foneticamente compatíveis.
Pertence a um nome composto,
que é demônio e também é santo.
Não dói como antes doía.
Não queima a pureza do espírito,
ou sequer condena o que a danifica.
A inicial do nome de luta,
que esconde a sua verdade na rotação,
agora adora o seu dono,
como se não houvesse mais volta.
O que agora existe não deseja volta.
Traços irregulares,
dispostos em três direções,
carregados de transparências bege,
equivalem à oração de todos os dias.
Peter, meu Peter.
Revelam a permanência
do que não pode ser previsto.
Peter, meu Peter.
Cuja identidade é forjada
em letras de escolha própria,
consciente da própria voz.
Peter, meu Peter.
E seus belos tímpanos
em deleite dos meus elogios.
E meus profundos olhos
à espera da aparição de seus medos e recados.
Peter, meu Peter.
E os diversos pecados
que decido não cometer.
Se não tivesse, outrora,
avistado o poço,
Se a face que hoje agrada
não tivesse observado com cuidado,
Se não tocasse insistentemente
nas mesmas teclas melódicas,
Ou se, por acaso,
não sentisse medo a cada verso,
Não teria ainda
as vestes que hoje habito.
Não seria,
em voz quase exclusivamente interna,
fonte de luz alguma.
Não preencheria jamais
os pequenos vãos que me moram.
De que me valeriam, afinal,
as marcas de batalha,
se não antes soubesse
a beleza da sua estadia?
Peter, meu Peter.
Não há validade mais extensa
que a da regeneração finita.
Se há cura para o que me cobre,
Há cura para todo o resto.
E todo o resto agora
existe em torno de Peter.
Peter, meu Peter.
Precisamente meu.
Preciosamente
Peter
Débora.
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
Dia de Aniversário
Eu estava num estado tórpido, tentando não abrir os olhos. Mas aquelas mãozinhas fofas eram insistentes, me chacoalhando pra lá e pra cá. Aí eu despertei. Os olhinhos esverdeados me observavam sob cabelos castanhos amadeirados, e aquele sorrisinho entre bochechas gorduchas. O rosto limpo e brilhante à luz da manhã que invadia o quarto pela janela. Seu olhar de admiração e amor verdadeiro me encantavam a qualquer hora, mesmo quando eu estivesse no pior momento de minha vida.
Fiquei extasiado. Bella me olhava agora rindo como se minha felicidade estivesse se refletindo nela... mas era a felicidade dela que se refletia em mim. Éramos espelhos de amor, um de frente pro outro. Sorri de orelha à orelha.
- Bom dia, amor - disse uma voz por trás da pequena Bella. Uma voz doce e límpida, como se tivesse vindo da natureza lá fora diretamente para meus ouvidos. - Feliz aniversário.
Fiquei extasiado. Bella me olhava agora rindo como se minha felicidade estivesse se refletindo nela... mas era a felicidade dela que se refletia em mim. Éramos espelhos de amor, um de frente pro outro. Sorri de orelha à orelha.
- Fizemos um bolo, pai - disse Alice, com seus longos cabelos castanhos cobrindo as laterais do rosto. Segurava um bolo nas mãos limpas e bem cuidadas logo ao lado de sua mãe, com um sorriso tímido à face.
- Ah - disse eu, me espreguiçando lentamente e sentando-me. - Nada melhor pra começar o dia do que um bolo de aniversário e várias guloseimas pra me alegrar, não é, meus docinhos? - eu ri feliz. - Pois bem, espero que tenha morangos no recheio.
- Acha que a gente ia esquecer dos morangos, Nícolas? - riu aquela linda mulher de cabelos ruivos.
- Jamais, pois aí está você, o melhor morango de todos - disse eu, enquanto ela se colocava à cama ao meu lado, dando-me um beijo demorado e quente.
Percebi, então, ao meu lado, meu pequeno garotinho de cabelos encaracolados, abraçado num travesseiro e perdido em sono profundo.
- Não quis acordar ele - disse minha deusa maior. - Acho que fica mais bonito assim, como um anjinho adormecido.
- Esse é o melhor dia de aniversário que eu já tive até agora - disse eu. - Espero que nunca acabe.
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