Olha lá pra rua
Vê o vento ventar?
Cai a chuva
Não aguento esperar
Mas algum dia
Há de se sanar
Como melodia
Hei de me safar
Pra poder continuar
E acabar com a própria vida
Como gota desmorona
Se atira do céu e no chão cai e seca
Não há flor que dure
Por mais de século
Não há sentido imune
Ao fim dos tempos
Olha lá pra rua
Vê o tempo cansar
Você nua
Não evito de olhar
Mas algum dia
Há de se parar
O sofrimento
Essa agonia
Do nunca chegar
Eu vou correr
E vou colher
Tudo que plantei
E o nada que herdarei
Quando perder tudo
Eu vou correr
E vou alcançar
Alguma coisa mórbida
E fria no fim do dia
No último dia da minha vida
Mas algum dia
Hão de sarar
Minhas feridas
Hei de escapar...
terça-feira, 8 de agosto de 2017
Sempre
Este poema é parte do acervo do antigo blog Mainstream Futilities, de 2016. Você pode conferir outros poemas recuperados de lá clicando aqui.
Hoje tinha que ser assim triste
Pois já não há nenhuma chance
Uma vez que ninguém pisa antes
De que esteja morto para sempre.
Num milhão de anos longe
Parecia que você já estava aqui.
E do nada o baque estonteante
Da queda de mais um gigante.
Eu não sei quantos anos esse dia vai levar
Pra conseguir acreditar que isso foi verdade.
Nem sei se depois vou poder sorrir
Mas sei que levo tua roupa junto da tua bondade.
Daqui pra frente
Terei você em mente pra ser melhor
Você deixou suas sementes
E as regou com o próprio suor
Daqui pra frente
Terei você presente diante do pior
Sei que vai ser impressionante
Na lembrança do seu rosto
Pintado na minha visão pra sempre.
Hoje tinha que ser assim triste
Pois já não há nenhuma chance
Uma vez que ninguém pisa antes
De que esteja morto para sempre.
Num milhão de anos longe
Parecia que você já estava aqui.
E do nada o baque estonteante
Da queda de mais um gigante.
Eu não sei quantos anos esse dia vai levar
Pra conseguir acreditar que isso foi verdade.
Nem sei se depois vou poder sorrir
Mas sei que levo tua roupa junto da tua bondade.
Daqui pra frente
Terei você em mente pra ser melhor
Você deixou suas sementes
E as regou com o próprio suor
Daqui pra frente
Terei você presente diante do pior
Sei que vai ser impressionante
Na lembrança do seu rosto
Pintado na minha visão pra sempre.
Em memória de Alan Rickman.
domingo, 6 de agosto de 2017
Porquês da Noite
Este poema é parte do acervo do antigo blog Mainstream Futilities, de 2016. Você pode conferir outros poemas recuperados de lá clicando aqui.
Por que toda noite é tão depressiva?
Por que toda noite não é bem dormida?
Por que toda noite é mal recebida?
Porque toda noite é poluída.
Por que toda noite é reprimida?
Por que toda noite não é descontraída?
Por que toda noite é mal investida?
Porque toda noite é maldita.
Por que toda noite é vestida?
Por que toda noite é infinita?
Por que toda noite é falida?
Porque toda noite é uma caída.
Porque toda noite é bandida.
Porque toda noite é sem saída.
Porque toda noite é pra sempre
Sem nenhuma garantia
Porque toda noite é escura
E completamente vazia.
Por que toda noite é ressentida?
E toda noite demora a ser varrida,
Porque toda noite é inimiga
E toda noite demora a ser vencida.
Por que toda a noite está sem vida?
Toda noite é tão antiga.
Por que toda noite é desconhecida?
Por que a noite é assim?
Porque toda noite é sempre maligna.
Por que toda noite é tão depressiva?
Por que toda noite não é bem dormida?
Por que toda noite é mal recebida?
Porque toda noite é poluída.
Por que toda noite é reprimida?
Por que toda noite não é descontraída?
Por que toda noite é mal investida?
Porque toda noite é maldita.
Por que toda noite é vestida?
Por que toda noite é infinita?
Por que toda noite é falida?
Porque toda noite é uma caída.
Porque toda noite é bandida.
Porque toda noite é sem saída.
Porque toda noite é pra sempre
Sem nenhuma garantia
Porque toda noite é escura
E completamente vazia.
Por que toda noite é ressentida?
E toda noite demora a ser varrida,
Porque toda noite é inimiga
E toda noite demora a ser vencida.
Por que toda a noite está sem vida?
Toda noite é tão antiga.
Por que toda noite é desconhecida?
Por que a noite é assim?
Porque toda noite é sempre maligna.
sábado, 5 de agosto de 2017
Música & Poesia
Cheio de sobretons,
Eu me aconchego nela
Com meu edredom.
Sou seu sentinela.
Música,
Poesia.
Eu faço isso todo dia,
Me alimento com cortesia.
Música também é poesia,
Poesia...
Cheio de estalos na língua,
A garganta arranhando o som.
Uma arte tão ambígua
Andando comigo vestindo meu moletom.
Música,
Poesia.
Minhas melhores amigas
Fazendo barulhos,
Trazendo alegria,
Cessando ânsias, graves e agudos,
Diários de bordo, meu tudo
De todo dia
Que tem poesia
Que também é
Música.
Eu me aconchego nela
Com meu edredom.
Sou seu sentinela.
Música,
Poesia.
Eu faço isso todo dia,
Me alimento com cortesia.
Música também é poesia,
Poesia...
Cheio de estalos na língua,
A garganta arranhando o som.
Uma arte tão ambígua
Andando comigo vestindo meu moletom.
Música,
Poesia.
Minhas melhores amigas
Fazendo barulhos,
Trazendo alegria,
Cessando ânsias, graves e agudos,
Diários de bordo, meu tudo
De todo dia
Que tem poesia
Que também é
Música.
sexta-feira, 4 de agosto de 2017
Açúcar
Este poema é de conteúdo pesado, se você é sensível, aconselho que procure por outro no blog.
Momento de explosão de energia
Açúcar queimando na veia
Como heroína
Exalta minha expectativa de vida
Eu vou destruir você
Ou qualquer coisa.
Onde está minha insulina?
Overdose de glicose
Com os pulsos pulsando mais forte
Mesmo que eu goze
Eu vou destruir você
Ou qualquer coisa.
Preciso mesmo de heroína
Pra contrabalancear tanta cocaína
Açúcar mascavo no embalo
Da balada regada a êxtase no fim de sábado
Punk rock não é suficiente
Metralho palavras ativo de olhos saltando
Rivotril já é ineficiente
Me dá um floral pro meu placebo semanal
E eu vou destruir você
Ou qualquer coisa.
Nicotina, nicotina, nicotina
Corta pela raiz o mal da rotina
Deixa meu sangue ácido
Jorrando dos braços em agonia
Preciso estuprar esse sentimento
Indecentemente até o âmago do meu problema
Incessantemente gritando até o outro dia
Decepar os seus membros sem pena
Destruir você
Ou qualquer uma.
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