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quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Oferendas

Carrego nos ombros
A cabeça de ontem
A cabeça de hoje
E elas pensam em ti

Me torno um marejo
Se peço-te fim
Do amor que nutriu
Dos nossos sonhos de anis

Então te forjo coroa
De oitocentos rubis
Numa tentativa de substituir o amor
Trabalhado em marfim

E ainda assim está aqui
De cetro e capa
Ouro, veludo e prata

Certamente me ama
E certamente disfarça

E eu continuo levantando pontes
Pra você não cair
E pintando quadros
De todas as cores

Você é sereia
Eu oferendas mil

De armaduras a mantas
Arcos e lanças
Estupro, matança
Um reino em chamas

Você é rainha
Eu rei do vazio

E a culpa ainda dança
Uma ferida vil
Desculpa, criança
Somos só aliança
Não consigo ser mais gentil

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Em Vídeos Pornô

Ai, já chega
Cê chega chegando
Como se nunca tivesse fugido
Ah, me pega

Procurei teu rosto
Em vídeos pornô
Você e seu olho
Embora pro inferno
Mas continuou no meu sono

Embrulhando-me o estômago
Queimando o esôfago
Esquentando o membro
Molhando os dedos
Simulando tua boca

Como é que pode
Ser como se nunca partisse
Me vem e me fode
Até me sangrar o nariz

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

sábado, 8 de setembro de 2018

Corrosivo

Já não me faz bem, me corrói, rápido demais, me come as células antes que me regenero. Ainda assim não posso fugir, quase pela metade, sem poder aceitar a morte, insisto em resistir.

Me apunhale, me aliene, me agrida ou ameace. Sobreviverei a ti.

Exílio de Silêncio

Me prendi num exílio de silêncio no qual não me permito gritar quando sofro ou gargalhar pela boba felicidade súbita. Talvez me sentisse mais em casa num hospício.

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