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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Pedaços Meus (08/2016)

Esboço

Agora anoto quem fui,
Ninguém.
Diferente, pretendi ser,
E ruí.

Tosco esboço de ninguém,
Conclusão
Dum nada falsificado
De tudo,

Tanto que mereci a depressão.
Quem era?
Que pareciam engraçados
Os muros…

Do lado guardava uma canção
Efêmera
Que preenchia minhas têmporas
Mas terminou feia.

Buscava minha própria aprovação
Na reprovação
E encontrei conforto na procura
Da plateia,

Aquela que nunca se encontra
Na abstração,
Aquela à qual pedi perdão
Sem cometer pecado algum.

Falava com ególatra afinco
Do suicídio,
No privado interesse azedo
Do show.

Dançava na cozinha seminu
Cheio de ar
Cheirava a fumaça do cigarro
Vaiando

E ao sonhar coisas do futuro
Não era cru,
Não estava no sofá ou vício
A me lembrar.

Segunda Mão

E desta segunda parte,
Segundas intenções,
A segunda mão que
Não fui eu quem deu.

A dizer tenho muito mais
Do que demonstro tão simples
Pois penso tanto em suicídio
Que é difícil estar em paz

Quando eu falo do passado
Aquele monstro mascarado
Que gosta de se fazer de coitado
Tentando habitar meu cérebro
Mas não ocupa espaço
Não tem cheiro, não tem braço
Ele é tão silencioso quanto
Stalkers que sabem tudo que faço

Mas há de haver dia macabro
Que ele mostrará o rosto
Cheio de falhas pelo uso
Do veneno manipulado, aplicado
Na minha cabeça,
É como se fosse o presente
Na minha presença
Se manifesta e some num instante

Eu não sei como dizer
Eu não sei o que fazer
Quando eu falo do passado
Aquele monstro mascarado
Que gosta de se fazer de coitado
Tentando habitar meu cérebro

Ele tinha nome, cheiro
Ele era pessoa com endereço
Marca de roupa
E não usava tinta no cabelo

Foi ele quem tentou me arrancar
Do marasmo que chamei de inferno
E me deu carona até o abismo
Que ele chamou de paraíso

E aquele nome virou tabu
Aquele peito do qual fui pedinte
A musa que não foi Pagu
Do ano de dois mil e quinze

Aprendi a diferença existente
Entre estar lutando com firmeza
Contra algo com forma e carne
E contra a mentira da mente
É a força para continuar de pé
É uma textura de seda ou de sapé
É a força dos músculos ou da fé
Não tem a ver com você.

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