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domingo, 8 de outubro de 2017

Análise do Ridículo

Deuses gregos dançando,
bundas do lado.

Ainda há esperança no funk,
ainda encontro amante
antes do fim
da próxima noite.

Cinco esquemas
e eu quase um edema,
uma ameba sem molejo,
uma lagartixa.

Corpos ébrios,
bundas a rebolar.
Flertam com meus cabelos
mas não querem me provar.

Sem álcool não tem como se lançar
no ridículo,
mas se você parar pra pensar,
mais ridículo
era eu lá no canto,
sem sequer um canto.
Voltei sem contos pra contar.

Mas ainda tem esperança no funk,
ainda tem carne nas maçãs saborosas
na visão que tenho do limiar.

Ainda existe samba pra eu cantar,
e ainda vem alguém pra escutar.

sábado, 7 de outubro de 2017

Textos Corriqueiros

Escrevi alguns textos corriqueiros
que ficaram melhores
que os meus primeiros.

Como é que eu me chamo poeta
se não sei versar?

Como é que eu encho microbiografias
de writer, escritor, cult-compositor,
se sou inútil, amor?
É o que sou.

Quero um vídeo de youtube,
um cigarro de faz de contas
e uma declaração de amor.

Quero sumir sem ter de voltar
porque já sou meu próprio horror.
Quero rir sem ter de pensar,
"Meu deus, preciso mudar!"
porque quero me sentir inteiro.

Reli meus textos corriqueiros
e foi melhor
que nossos estranhos ponteiros;

Nosso imenso abismo de silêncio.

Gosto

Gosto do meu narcisismo,
como se fosse em mim
a possessão do próprio Narciso.

Gosto dos teus maneirismos,
do teu desprezo dos meus vícios,
do nosso antecipado nervosismo
e da vibração antes dos sinos.

Gosto do jeito tosco como somos ocos
antes de nos preenchermos
e então sermos um todo.

Gosto de você.

Óleo

Tem óleo na água
saindo do chuveiro,
acusam as bolhas.

Líquido nojento
pra eu beber;
um par de peitos
suculentos.

Eu vou enlouquecer,
já não aguento
meu próprio ser.

Todos os meus poros
suam ardendo,
azeitando meu cabelo,
pra refletir o asco
no meu rosto no espelho.

Um lápis de olho,
um banho lento,
tentativas inúteis
de me limpar,
pois estou sujo
por dentro.

Lembrança Sem Esmero

Escrevi teus traços na minha assinatura sem querer
tentando te esquecer.
Que curioso esperar o açúcar derreter na xícara,
você nos meus braços neste entardecer.

Não é um sinal dos tempos,
mas o céu vermelho me lembra você.

Lembra de todas as vezes que você tentou
me satisfazer?
Lembra do café morno,
teu gosto,
teu rosto com meu,
nosso encosto...

Teste de personalidade,
nossa cor é linda misturada.

Lembra de nós inferno?
Ainda assim eu quero.
Ainda assim eu quero.
Ridículo te espero,
assim como te quero.

Textos sem nenhum esmero,
gargalho lembrando do nosso sexo.
Queria você na minha fantasia
sem nenhuma poesia.

-Só a pele rasgando de tão macia...tua carne é uma delícia.
Tua existência vazia.

Sinto falta da tua companhia.

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